Não saber se caso ou se compro uma bicicleta. Às vezes é melhor um dia cheio de compromissos, correria, do que um dia livre, de ressaca. Muita coisa pra fazer, pouco animo pra começar. Podia correr, podia malhar, podia pegar sol… O dia está bonito lá fora. Odeio quando o dia está bonito lá fora, me sinto na obrigação de aproveitá-lo.

Poderia ler. Ler seria bom, não tenho que levantar da cama para isso. Mas leio mais tarde. Poderia ver um filme.

Me pego vendo filme de olhos fechados. Porque não consigo dormir? Ouvindo o filme, ouvindo a casa vivendo o seu normal, ouvindo o vizinho que comprou uma bateria.

Esquece o filme, esquece o cochilo. Levanto agora. Computador, internet, contato com o mundo. Isso que mata: tantas possibilidades. Acabo não fazendo nada. Rastejo pelos cantos o dia todo. Não descanso, nem produzo. Pensando em começar a fazer alguma coisa, o dia passa sem que tenha feito nada.

Passei quarenta minutos na varanda olhando para fora, pensando como é estranho que o mundo esteja acontecendo em volta de mim e à minha revelia. Essas coisas são desconcertantes porque fazem a gente perceber o quanto somos desnecessários.

O melhor que faço é voltar pra minha cama.