(…) A insatisfação crônica é inerente à nossa condição humana e até que os cientistas fabriquem a bola da felicidade, assim será. Mas eis que aceitando e vivendo tudo isso até o talo, dei um jeito de escapulir, para um cenário aparentemente sem solução até agora. Aí advenho, em toda minha doença, toda minha neurose suja, nojenta, impiedosa: uma angústia enorme, um medo paralisante, de estar paralisada, presa nesse lugar mesquinho. Que lugar? Eu também não sei, mas sinto medo de tudo, de qualquer movimento, de qualquer companhia que não a minha própria. E fico parada, correndo o risco de que tudo siga em frente, e eu fique aqui. (…)