Aquela dorzinha constante: você não abre mão, faz questão dela, vocês formaram uma parceria, é um compromisso sólido, garantido. Você e a sua dor, de mãos dadas pela vida. Ela incomoda, faz sofrer, mas você está habituado, ela pertence.
A gente não consegue se adequar à felicidade, é muito complicado. Como lidar bem com ela se a gente não se apropria do que acontece com a gente? Acontece e vai embora, se esvai, escorre por entre os dedos desesperados em conter o transbordamento. Não dá pra explicar o que aconteceu com você, as palavras não são suficientes. Nunca é possível explicar, nunca! Isso não é enlouquecedor?
Fica aquilo meio esotérico, meio duvidoso, pela metade, então meio distante, mais distante e lá está você, atracado com a bicha louca outra vez, a dor, parceira de fundo de poço, com ela você sabe viver. Com a felicidade da qual você não pode se apropriar, mesmo sendo sua, com essa não dá pra viver.